Erle Ellis: uma nova visão da preservação
A ideia de que patrimônios naturais, como a Amazônia, devem ser protegidos a qualquer custo contra a excessiva intervenção humana é óbvia e amplamente disseminada nos dias de hoje. Mas para toda unanimidade, sempre há uma exceção.
Erle Ellis, cientista que estuda a ecologia de biomas que foram modificadas pelo homem e seus efeitos em escalas locais, regionais e globais (uma prática denominada “Ecologia dos biomas antropogênicos”), defende que a natureza primordial, em seu estado original, não existe mais, e que a vida no planeta está sendo moldada pelo homem há milhares de anos – e este fato exige uma nova visão sobre a preservação.
Segundo Ellis, as mudanças sofridas pela Terra não são obra apenas do homem moderno. Mamíferos como o mastodonte, por exemplo, não teriam sido extintos pela última era glacial, mas sim pelos caçadores pré-históricos; a floresta amazônica não está sendo devastada apenas pelas madeireiras e queimadas, mas já havia sofrido com a destruição causada pelos nativos, que se ocupavam da agricultura e da caça antes da chegada de Colombo à América. Existem até evidências de que os gases do efeito-estufa começaram a aumentar há aproximadamente 8.000 anos, quando os primeiros agricultores desmataram as terras para o cultivo de arroz. Por isso, Ellis acredita que proteger a natureza em seu estado original é uma tarefa impossível e um tanto ridícula.
Em um editorial publicado no site da revista Wired, Ellis afirma o seguinte: "A natureza acabou. Já havia acabado antes de você nascer, antes de seus pais nascerem, antes dos colonizadores chegarem e antes da construção das pirâmides. Se isso te incomoda, supere. Vivemos no Antropoceno, uma época geológica em que a atmosfera, a litosfera e a biosfera da Terra são moldadas, principalmente, por forças humanas". (http://www.wired.com/wiredscience/2009/05/ftf-ellis-1/)
Ellis está longe de negar fenômenos como o aquecimento global, a mudança climática e a extinção de espécies, mas defende uma outra visão preservacionista, concentrada em otimizar o uso dos recursos naturais dentro de um processo que já se mostrou irreversível.
"Temos que reconhecer que nossas fazendas, e até nossos quintais e cidades são importantes refúgios da vida selvagem, e devem ser considerados como tal. Nosso planeta é um planeta usado. Graças à nós, a Terra se tornou mais quente, com menos florestas e menos biodiversidade. E agora? Antes de mais nada, precisamos acabar com a ideia de que temos de 'salvar' o planeta", escreve Ellis.
Para ele, chegou a hora de
implementarmos um ambientalismo “pós-natural”, que busque aproveitar ao
máximo os recursos existentes.
"Podemos nos manter afastados dos
lugares que queremos conservar, mas eles vão mudar de qualquer forma
pelos efeitos do aquecimento global e pelas espécies que introduzimos
sem saber".
A única forma de conservar estes lugares para que tenham a mesma configuração de antes da chegada do ser humano seria recriá-los, o que é muito difícil, assegura Ellis.
Longe de ser sombria, a visão do cientista convida à ação realista: "Use energia renovável, limpe, reutilize o que consome, arregace as mangas. A Terra ainda tem um longo caminho a percorrer”.
Confira mais informações sobre o trabalho de Erle Ellis e os temas mencionado neste site:
(http://www.agroecology.org/Erle_Sp.html)
Foto: O pesquisador Erle Ellis ©Ecotope.org.
Ecotope, organização dirigida por Ellis
(http://ecotope.org/about/Default.aspx)
Blog de Ellis (http://ecotope.org/blogs/author/Erle.aspx)
Biomas ou ecossistemas antropogênicos (http://www.lareserva.com/home/bioma_antropogenico_antroma)
Fonte: Wired Science http://www.wired.com/wiredscience/2009/05/ftf-ellis-1/
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