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Quando Fiz Topless

Insertado por: Discovery Brasil en dezembro 3, 2009

6a010535f2c8a4970c0120a640a277970c-800wi Recentemente, eu estava lendo as manchetes dos jornais norte-americanos na Internet, e para meu espanto, esta me chamou a atenção: “mais mulheres passam de ‘jobless’ (sem emprego) para topless”.

Isso me lembrou o dia em que também fiz topless em público.

Eu estava em um corredor lotado no Hospital Geral de Massachusetts, no meu país natal, os Estados Unidos. Era uma manhã fresca de primavera e eu ia me submeter a uma dupla mastectomia por causa de um câncer de mama.

Como podem imaginar, foi uma confusão emocional. Minha família estava à minha volta, todos tentando fazer o possível para me ajudar, falando pouco e segurando a minha mão. Mas sinceramente, eu sentia que meu cérebro estava sendo sugado por um aspirador de pó de pavor, cujo botão havia travado na posição “ligado”.

E lá estava eu, angustiada com tudo aquilo, esperando o elevador, enfiada naquele avental fino, pensando: eles vão embora PARA SEMPRE! Quando se espera por alguém que virá extirpar seus seios, a espera é mais do que difícil: é atordoante.

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O Plano de Cinco Anos

Insertado por: Discovery Brasil en dezembro 3, 2009
Breast_Cancer_162x162 Muitas pessoas falam sobre seu “Plano de Cinco Anos”: onde querem estar em cinco anos, o que pretendem ter realizado, quanto dinheiro ou que posição profissional desejam conquistar, e assim por diante. Daí, elas partem para o “Plano de Dez Anos” com base no de cinco: se em cinco anos você economizou 10 mil, em dez anos, terá 20 mil...

Também sou uma destas pessoas, também falo dos meus planos de cinco e dez anos: já faz cinco anos que eu disse a mim mesma, “em cinco anos, Ann, você ESTARÁ viva”.

Isso soa um tanto macabro e melodramático, mas quando se é uma sobrevivente de câncer, este tipo de drama faz parte da vida diária.

Em março de 2009, há cinco anos, meu médico me contou que eu tinha câncer de mama. Suas palavras exatas foram “é câncer de mama”, e elas ainda queimam na minha memória. Estas palavras me atingiram como uma chuva de balas. Meu mundo caiu, foi esmagado, implodido, congelado, devastado, insira-seu-verbo-favorito-de-destruição-aqui. Eu preferiria que ele tivesse dito outra coisa, qualquer coisa, “você tem verrugas, você é feia, está na hora de uma colonoscopia”. Qualquer coisa.

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A Irmandade das Pulseiras Viajantes

Insertado por: Discovery Brasil en novembro 24, 2009

6a010535f2c8a4970c0120a66c09cd970c-800wi Este ano marca o quinto aniversário de ter sofrido câncer de mama e de tê-lo superado (assim espero). Saberei que o superei quando morrer de alguma outra coisa. Não é minha ideia original, me disseram isso na ala de oncologia, mas eu a uso o tempo todo porque ela resume tudo.

Eu estava na sala de espera (que, por sinal, estava lotada), e acabei ouvindo uma mulher falando ao celular. Pela forma como ela falava com a pessoa do outro lado da linha, me pareceu que ela estava perturbada. Pensei comigo, ou o câncer ainda era recente em sua vida, ainda novo e assustador, e ela estava tentando manter a compostura (afinal, sentir o hálito do câncer no seu cangote não é nada fácil), ou ela só estava tendo um dia ruim e não podia lidar com a realidade naquele dia. De qualquer forma, passei pelas duas situações, e compreendo perfeitamente. Câncer é uma droga. Ponto final.

Mas só para ter certeza, olhei o seu pulso para ver se ela usava a pulseira. Foi assim que descobri, cinco anos atrás, quando eu mesma estava sentada na sala de espera como nova paciente de câncer, que alguém mais estava no mesmo barco. Quem estivesse com a pulseira de identificação de pacientes (com seu nome e data de nascimento) estava. Caso contrário, era um parente ou amigo tentando ajudar o “barco” a se manter à tona.

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PLLP

Insertado por: Discovery Brasil en novembro 17, 2009
6a010535f2c8a4970c0120a640a277970c-800wi Eu estava jantando com uma amiga outro dia, e acabamos conversando sobre como as pessoas, inclusive eu, geralmente levamos tudo para o lado pessoal.

Claro, somos pessoas. Lembro que, quando ouvi pela primeira vez a expressão “levar para o lado pessoal”, eu respondi: “Claro que estou levando para o lado pessoal. Sou uma pessoa, não?”

Mas eu cresci, amadureci, envelheci – e fiquei mais enrugada – desde então, e não estou mais na posição de achar que é natural levar as coisas para o lado pessoal. Acho que você pode se relacionar com alguma coisa e aprender algo com isso, e mudar de uma forma positiva por causa de um erro ou comentário idiota (em vez de reagir a ele). Mas não vou mais supor que TODOS os comentários, eventos e momentos ruins que me envolvem têm necessariamente a ver comigo.

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O Caroço

Insertado por: Discovery Brasil en novembro 10, 2009

Ann-Murray-Paige-2009-162x162 Este post é direcionado a todos, mas mais especificamente às pessoas que conheci no Centro Patrick Dempsey para Esperança e Cura do Câncer, no Maine, Estados Unidos, em 2008. Explico:

Naquela palestra, depois de exibir o filme “The Breast Cancer Diaries” (Diário do Câncer de Mama), houve uma mesa-redonda comigo e com a diretora, Linda Pattillo. Na plateia, havia ao menos 60 pessoas, entre médicos, enfermeiras, pacientes, sobreviventes de câncer, seus parentes e amigos, e uma jovem que chamarei de Y.

Todos fizeram perguntas, como: “Como você está?”, “E a sua família?” E questionaram como o filme foi feito, como foi a dinâmica entre mim e a diretora, que é minha cunhada e amiga.

E, então, Y levantou-se, e fez um pergunta que me causou um frio na barriga. Foi mais ou menos assim: “Ann, como você lida com o medo da recorrência do câncer? É um pensamento tão assustador... isso te perturba?” (estou parafraseando, mas esta era a essência da pergunta).

Eu fiquei paralisada, segurando o microfone, e depois de uns minutos de pausa, pensei no seguinte:
Dois dias antes, durante o jantar com minha família, apoiei meu queixo entre as mãos e senti um caroço no pescoço. Pensei: “Droga! O que é ISSO?” Quatro anos depois, após inúmeros procedimentos e incontáveis prescrições, era o primeiro caroço que sentia desde o que tive na mama. Eu não quis comentar com meu marido naquele momento, porque não queria assustá-lo.

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A Vida em Tatuagens

Insertado por: Discovery Brasil en novembro 10, 2009

Ann-Murray-Paige-2009-162x162 Tenho uma amiga que tem 49 tatuagens. Não estou brincando. Ela tem 49 tatuagens graciosamente distribuídas por seus braços, costas, pescoço, barriga e outras partes que não perguntei. São dela, e ela as adora.

Não sou uma pessoa de tatuagens, o que significa que nunca paguei por uma. Mas tenho uma. Três, na verdade. São pontos de localização que o grupo de oncologia teve de fazer no meu peito branco e liso depois que passei por uma dupla mastectomia e terminei os tratamentos de quimioterapia. Eles foram feitos para ajudar os técnicos a não perderem os pontos onde deveriam fazer as aplicações de radiação com o passar do tempo. Se aplicassem no ponto errado, poderiam acertar o coração. Portanto, essas marcações no meu peito tinham de ser precisas como as informações de um mapa. Minha vida dependia disso.

Isso foi há cinco anos, e hoje me sinto ótima. Mas trombei com essa minha amiga das 49 tatuagens essa semana. Ela é minha amiga de infância; entramos e saímos da vida uma da outra por várias vezes, mas sempre acabamos nos encontrando. E agradeço muito por isso; não tem nada melhor do que uma amiga de infância. Não me importo com os rumos diferentes que nossas vidas tomaram ou com a pouca frequência com que nos encontramos. Ela ainda é muito importante pra mim, e acho que sempre vai ser.

Quando a gente se encontrou, ela contou sobre as duas últimas tatuagens que havia feito: uma homenagem bonita para os pais, de quem, a propósito, gosto muito. Uma dizia algo em latim (o pai dela é advogado) e a outra era uma frase que a mãe dela sempre diz: “A vida não é perfeita”.

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Meus dois encontros às cegas

Insertado por: Discovery Brasil en novembro 5, 2009
Ann-Murray-Paige-2009-162x162 Da última vez que fui a um encontro às escuras, eu tinha 16 anos. Eu me vi presa a uma mesa de jantar com um doce rapaz que me assustou muito. Não que ele fosse mau, ou parecesse assustador ou desagradável – na verdade ele era até bem legal. Mas era um homem, e eu morria de medo de homens. Não os entendia, havia sido criada só com irmãs mais velhas – nossa, até aquela idade eu não tinha nem beijado ninguém!

A única razão para eu estar naquele encontro foi que meu pai, cheio de boas intenções, “sugeriu” que eu aceitasse quando o filho de um amigo dele e da minha mãe me chamou para sair. É claro que eu disse não – tá brincando? Eu lá ia me sentar com o cara e conversar? E comer? Como eu poderia comer se meu estômago estaria embrulhado? Como eu poderia comer perto de um homem? Mas disseram que eu deveria ir, que era “só um jantar”, então, contra a minha vontade, aceitei.

A conversa foi hesitante e nervosa. Quando ele me fazia perguntas, eu respondia com frases rápidas. Fiquei com dor de barriga, nervosa pra caramba (pensando agora, não sei o que imaginei que poderia acontecer, talvez estivesse com medo de que ele pulasse sobre a mesa e me chamasse para dançar tango).

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Mãe

Insertado por: Discovery Brasil en novembro 3, 2009
Ann-Murray-Paige-2009-162x162 Quando eu era repórter de uma TV local, nossa equipe brincava sobre quem levaria o tripé para fazer as matérias. O fotógrafo era encarregado de carregar a câmera grande e pesada, mas, muitas vezes, discutíamos sobre quem iria levar o tripé.

Eu detestava carregá-lo, porque machucava minhas costas. Como o fotógrafo era mais forte do que eu, era ele quem o fazia. Mas, às vezes, eu tinha de ceder, principalmente quando ele soltava uma frase de outro fotógrafo: “Ei, quem reporta algo também transporta”, brincando com a rima das duas palavras.

Isso me deixava louca, porque este pensamento era muito espertinho, mas fazia sentido. E NÃO me favorecia.

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Hábitos saudáveis para esquecer...Ai, meu Deus!

Insertado por: Discovery Brasil en outubro 30, 2009
style="width:Liguei meu computador, e assim que a página da MSNBC se abriu, o título  “Cinco hábitos saudáveis para esquecer” atiçou a mulher preguiçosa dentro de mim. Logo, pensei: "Ah, enfim, menos trabalho”. Então, comecei a ler ...

A primeira dica era sobre o café da manhã, para você não se preocupar se não comer assim que acorda. Bem, eu como quando tenho fome, e geralmente estou faminta pela manhã, portanto, nada de mais. Essa dica não me diz nada.

Já a segunda, me arrepiou os cabelos: PULE O AUTOEXAME DA MAMA.

AI, MEU DEUS!

O QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEÊ?

Como vocês já sabem, eu sou uma sobrevivente de câncer de mama. Como vocês também sabem, fiz um filme sobre isso, que irá ao ar na TV este mês. E se você acompanha este blog deve saber que minha doença foi detectada justamente através do AUTOEXAME DA MAMA. 

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A História de Farrah

Insertado por: Discovery Brasil en outubro 28, 2009
style="width: Passei uma semana esperando o programa sobre a história de Farrah Fawcett no começo do ano. Por um lado, queria ver o filme por se tratar da Farrah, mas também sobre o câncer, duas coisas presentes na minha vida há algum tempo (As Charlie Angels e Eu). Gosto da Farrah; o câncer, eu sinceramente odeio. Por outro lado, após saber que estava com câncer, eu não tinha certeza de que poderia lidar com isso, ou se não seria nada além de uma triste lembrança do meu passado infeliz.

Mas, depois de assistir o programa, e desabar em lágrimas no final, posso dizer que não só estou feliz, mas muito honrada. Foi lindo e cruel, surpreendente e difícil, engraçado e horrível; sou grata à Farrah Fawcett e a todos os seus familiares  e amigos por nos terem mostrado esse importante documentário.

Houve momentos que me encolhi por ela - como quando ela está na mesa prestes a se submeter ao extenso e apavorante tratamento, e o médico alemão lhe pergunta qual o filme que fez que ela mais gosta.

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About The Author - cancer - BRA

  • Sobre a autora
    Ann Murray Paige
    Ann Murray Paige, sobrevivente de câncer de mama e protagonista de “Diário do meu câncer", compartilha suas experiências...

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